Desencontros

domingo, 5 de fevereiro de 2012

É estranho andar por aí e te imaginar. É sonhar com você sempre perto, como se fosse impossível me abandonar.
Meus olhos fissurados, cansados vagueiam sem rumo, buscam sedentamente encontrar um resquício de você.
É como estar longe da sanidade, você esta em todos os lugares, mas não está. Posso vê-lo nas semelhanças pequenas de algum outro olhar, outro gesto, outro cheiro. Todos me lembram, e nenhum tem absolutamente nada de você.
É prisão perpétua, é sentença sofrida. Carregar por ai essa dor de te buscar e frustrar-me com o desencontro constante.
Toda esquina que dobro, cada lugar que visito me lembra você, nós.
Me trancafiei sozinha, nada me encanta, nada me tem. Cansei de tentar.
Quando éramos nós, você fazia questão de me dar lembranças espalhadas por esta cidade pequena. E agora que você se foi não tenho paz. Corro, fujo, finjo, me escondo e nada muda. A árvore continua no lugar, os caminhos são os mesmos. Também a dor.
Cruzo os caminhos familiares sozinha, as lágrimas molham meu rosto, talvez pálido, talvez superficial; Gosto de percorrer as estradas em que passeávamos, gosto de olhar as lembranças, abraçar a saudade, sonhar; Poderia me sentar aqui e ficar o dia todo olhando folhas secas, lendo nelas o que dizíamos um pro outro, sentindo no ar a intensidade vivida.
Você não me salvou; Me condenou.
Deu-me tanto e tirou tudo.
Que estranho é o amor. Coisa dolorida. Vejo-me sem vontade de continuar a senti-lo,  quero amar sem sofrer, quero ser livre de dores de novo.
Deixarei fluir este sentimento de esquecimento, salvarei e trancarei as lembranças no fundo, onde eu não possa ver... 

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