É estranho andar por aí e te imaginar. É sonhar com você
sempre perto, como se fosse impossível me abandonar.
Meus olhos fissurados, cansados vagueiam sem rumo, buscam
sedentamente encontrar um resquício de você.
É como estar longe da sanidade, você esta em todos os
lugares, mas não está. Posso vê-lo nas semelhanças pequenas de algum outro
olhar, outro gesto, outro cheiro. Todos me lembram, e nenhum tem absolutamente
nada de você.
É prisão perpétua, é sentença sofrida. Carregar por ai essa
dor de te buscar e frustrar-me com o desencontro constante.
Me trancafiei sozinha, nada me encanta, nada me tem. Cansei
de tentar.
Quando éramos nós, você fazia questão de me dar lembranças
espalhadas por esta cidade pequena. E agora que você se foi não tenho paz.
Corro, fujo, finjo, me escondo e nada muda. A árvore continua no lugar, os
caminhos são os mesmos. Também a dor.
Cruzo os caminhos familiares sozinha, as lágrimas molham meu
rosto, talvez pálido, talvez superficial; Gosto de percorrer as estradas em que
passeávamos, gosto de olhar as lembranças, abraçar a saudade, sonhar; Poderia me
sentar aqui e ficar o dia todo olhando folhas secas, lendo nelas o que dizíamos
um pro outro, sentindo no ar a intensidade vivida.
Você não me salvou; Me condenou.
Deu-me tanto e tirou tudo.
Deu-me tanto e tirou tudo.
Que estranho é o amor. Coisa dolorida. Vejo-me sem vontade
de continuar a senti-lo, quero amar sem
sofrer, quero ser livre de dores de novo.
Deixarei fluir este sentimento de esquecimento, salvarei e
trancarei as lembranças no fundo, onde eu não possa ver...

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